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O que realmente diz a profecia dos 70 anos

Na postagem anterior, fiz umas declarações que repito aqui:

Se o primeiro líder da Torre de Vigia tivesse feito um estudo cuidadoso [da profecia de Jeremias], teria evitado muito embaraço para os futuros líderes….Quando a data de 1914 chegou até o grupo, foram incapazes de encontrar qualquer equívoco na interpretação.

Lembremos que a Torre interpreta as palavras de Jeremias como uma declaração de que Jerusalém ficaria desabitada por 70 anos, que esse período de tempo começa a ser contado a partir da destruição de Jerusalém pelo exército de Nabucodonosor.

Em um primeiro momento precisamos esclarecer que Torre de Vigia e historiadores estão de acordo que Nabucodonosor destruiu Jerusalém no seu 18º ano de reinado, que correspondia ao 11º ano de reinado de Zedequias, o último rei de Judá; que Zedequias sucedeu a Jeoiaquim, que reinou por quase 11 anos também (Joaquim reinou por 3 meses após a morte de Jeoiaquim, até ser substituído por Zedequias). Quando se subtrai os 18 anos de reinado de Nabucodonosor da soma dos reinados de Jeoiaquim e Zedequias, descobrimos que ele começou a reinar no 4º ano do reinado de Jeoiaquim. Todas as informações aqui podem ser visualizadas na imagem abaixo. As datas foram eliminadas porque são irrelevantes para o esclarecimento que se pretende aqui.



De posse dessas informações, estamos prontos para abrir a Bíblia e ler a profecia de Jeremias:

(Jeremias 25:8-12) 8 “Portanto, assim diz Jeová dos exércitos: ‘“Visto que vocês não obedeceram às minhas palavras, 9 estou convocando todos os povos do norte”, diz Jeová, “estou convocando o meu servo Nabucodonosor, rei de Babilônia, e vou trazê-los contra esta terra, contra os seus habitantes e contra todas as nações ao redor. Eu os entregarei à destruição e farei deles um motivo de terror, um alvo de assobios e uma ruína permanente. 10 Porei fim ao som de exultação e ao som de alegria entre eles, à voz do noivo e à voz da noiva, ao som do moinho manual e à luz da lâmpada. 11 (1) E toda esta terra será reduzida a ruínas e se tornará um motivo de terror, (2) e essas nações terão de servir ao rei de Babilônia por 70 anos.”’ 12 “‘Mas, (3) quando se completarem 70 anos, ajustarei contas com o rei de Babilônia e aquela nação por causa dos seus erros’, diz Jeová, ‘e farei da terra dos caldeus um deserto desolado para sempre.

Quando disseram a Russell, lá pelo fim do século XIX, que Jerusalém ficaria desolada, devastada, desabitada, por 70 anos, para cumprir essa profecia, era de se esperar que ele abrisse a Bíblia e checasse se o livro sagrado diz exatamente isso.

Não, não diz.

No texto estão assinaladas três declarações relacionadas com a profecia:

1 - A terra de Judá seria arruinada em resultado do ataque de Nabucodonosor;

2 - As nações ao redor de Judá serviriam ao rei de Babilônia por 70 anos;

3 - No fim dos 70 anos, Deus ajustaria contas com o rei de Babilônia.

O item 2 destrói completamente a interpretação da Torre de Vigia. Os 70 anos da profecia nada tem a ver com a terra de Judá e Jerusalém, mas refere-se às nações vizinhas. Diz-se de forma bem explícita que essas nações serviriam ao rei de Babilônia por 70 anos.

O conceito de servidão é repetido outras vezes nesse contexto, como no capítulo 27.

(Jeremias 27:7, 8) Todas as nações servirão a ele [ao rei de Babilônia], ao seu filho e ao seu neto, até que chegue a vez da sua própria nação, quando muitas nações e grandes reis o escravizarão.’ 8  Se alguma nação ou reino se recusar a servir a Nabucodonosor, rei de Babilônia, e se recusar a pôr o pescoço debaixo do jugo do rei de Babilônia, eu punirei essa nação com a espada, a fome e a peste’, diz Jeová, ‘até que eu os tenha eliminado pelas mãos dele’... Mas a nação que puser o pescoço debaixo do jugo do rei de Babilônia e o servir, eu a deixarei ficar na sua terra’, diz Jeová, ‘para cultivá-la e morar nela.

Na passagem acima lemos ainda que, caso a nação aceitasse se sujeitar ao rei de Babilônia, ela permaneceria em sua terra (logicamente com a obrigação de pagar tributos ao rei), e a punição, o exílio, só viria se a nação mostrasse insubordinação. Judá mostrou insubordinação e foi levada ao exílio no fim do reinado de Zedequias, quando Jerusalém foi destruída.

Levando em conta o que está escrito na profecia, podemos pôr à prova a interpretação da Torre de Vigia de pelo menos duas maneiras:

1 - verificar sobre quando foi que teve início o cumprimento da profecia, isto é, quando foi que nações vizinhas de Jerusalém começaram a ser postas sobre a autoridade de Babilônia (item 2).

2 - verificar quando foi que terminou os 70 anos e se ajustou contas com o rei de Babilônia (item 3).

Esses assuntos serão discutidos nas próximas postagens.

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De acordo com os historiadores, entre a destruição de Jerusalém (587 a.C.) e a queda de Babilônia (539 a.C.) passaram-se 48 anos. Como a Torre de Vigia entende que os 70 anos se referem à terra de Judá, a serem contados a partir da destruição de Jerusalém, ela é obrigada a recuar em 20 anos a data da destruição de Jerusalém para acomodar os 70 anos neste intervalo de tempo. Como resultado, acontece o que se pode descrever como efeito dominó: de forma arbitrária, todas as datas dos acontecimentos que antecederam à destruição de Jerusalém são recuados em cerca de 20 anos.


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